quinta-feira, 16 de julho de 2015

Mata-gigantes Ilhas Faroe voando alto

E aí galera, com saudades do futebol faroês? Dessa vez foi a FIFA quem publicou um especial sobre as Ilhas, que alcançaram sua melhor posição na história do Ranking. Infelizmente o site não tem mais a versão em português, mas eu traduzi!

Faroeses comemorando a vitória sobre a Grécia.
As Ilhas Faroe são um misterioso arquipélago localizado na corrente do golfo do Atlântico Norte. Com as mais altas falésias na Europa e um interior rochoso e robusto, a construção de estradas foi tão problemática que os faroeses tiveram que inventar túneis subaquáticos revolucionários para conectar suas 18 ilhas.

A construção de campos de futebol, que exigem exclusivamente superfície plana, foi ainda mais difícil. As Ilhas Faroe tinha apenas um estádio antes de sua admissão na FIFA em 1988. Era feito a partir de cascalho. A equipe, portanto, teve que jogar seus primeiros jogos competitivos em casa, eliminatórias do UEFA Euro 1992, na Suécia.

Com o trabalho não-remunerado dos aldeões do vilarejo de Toftir, foi construído um novo campo que cumpria as normas da UEFA a tempo para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1994. As Ilhas Faroe terminou a campanha com zero pontos em dez jogos, um gol marcado e 38 sofridos. Foi mais ou menos assim nas próximas duas décadas, onde eles se encontraram em sua pior posição no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola em setembro de 2008 - abaixo de Ilhas Cayman, Butão, Aruba, Comores, entre outros.

As Ilhas Faroe foram apenas marginalmente superior - 183ª - na escala mundial quando a corrida para chegar ao UEFA Euro 2016 começou. Com seus concorrentes Grécia (13ª), Romênia (27ª), Hungria (34ª), Finlândia (55ª) e Irlanda do Norte (95ª) significativamente maiores, e tendo conseguido apenas dez pontos de 150 possíveis em suas cinco últimas campanhas nas eliminatórias de Euro ou Copa do Mundo, foi, consensualmente, um conclusão precipitada que os semi-profissionais de Lars Olsen terminariam em último lugar no Grupo F.

Passaram-se três jogos e, previsivelmente, as Ilhas Faroe tinha zero pontos, ainda que tenham dado um pouco de trabalho para Finlândia, Irlanda do Norte e Hungria. Isso deixou as Ilhas Faroe no pé da piscina, mas um dos resultados mais impressionantes da história das eliminatórias do Euro os elevou para fora dela. A Grécia, que teve seu lugar nas quartas de final do Mundial do Brasil em 2014 negado apenas nos pênaltis, era esperado que tivesse uma vitória para mudar sua situação em Piraeus. No entanto, as Ilhas Faroe esteve melhor na primeira hora de jogo - o meio-campista adolescente Brandur Olsen e o capitão de 37 anos de idade Fróði Benjaminsen acertaram a trave, enquanto Orestis Karnezis fez quatro boas defesas para os campeões europeus de 2004 - antes de Jóan Edmundsson marcar o único gol.

"A popularidade do futebol nunca foi tão alta (nas Ilhas Faroe)", disse Benjaminsen após o apogeu em Atenas - a primeira vitória fora em um jogo competitivo em 13 anos. "É inacreditável, é tudo o que as pessoas estão falando".

Uma derrota por 1 a 0 na Romênia - facilitada por um desvio sortudo - não fez nada para amortecer esse entusiasmo. Todos os 4700 bilhetes para a visita da Grécia à Tórshavn em junho vendeu a uma velocidade sem precedentes, enquanto a Federação de Futebol das Ilhas Faroe (FSF) ainda marcou a ocasião oferecendo salmão grátis para quem viajou ao estádio Tórsvøllur via túneis subaquáticos, balsas ou a pé.

"A popularidade do futebol nunca foi tão alta. É inacreditável, é tudo o que os pessoas estão falando." - Fróði Benjaminsen.

 E que ocasião foi. Os gols de Hallur Hansson e Olsen asseguraram que um esquadrão composto de pescadores, trabalhadores de construção civil, professores e carpinteiros vencesse por 2 a 1 para completar duas vitórias sobre jogadores de Bayer Leverkusen, Benfica, Borussia Dortmund, Roma e Sunderland.

"Absolutamente incrível!" exclamou Olsen, que joga no gigante dinamarquês FC Copenhagen e é considerado o maior prospecto de todos os tempos das Ilhas Faroe. "Surreal. Tórsvøllur com 4700 espectadores e nós ganhamos por 2 a 1. É difícil de entender."

Uma noite extraordinária para os penhascos elevados de Tórshavn precedeu um salto extraordinário na montanha do futebol. No mais recente Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, de fato, as Ilhas Faroe invadiram 28 lugares para entrar no top 100 pela primeira vez na história. Eles agora estão em 74º, acima de seleções como Uzbequistão, Montenegro, Marrocos, Finlândia e Arábia Saudita. Uma subida de 113 lugares a mais do que eles estavam apenas nove meses atrás. Brandur Olsen acredita que essa posição lhes deu respeito.

"Eu acho que os outros times europeus nos respeitam mais agora", disse ele ao FIFA.com. "Eles já não nos subestimam, vencemos a Grécia duas vezes, e tivemos performances sólidas diante de Romênia e Hungria. Agora temos a crença de que podemos vencer todos os jogos."

Outro Olsen está por trás de tudo - apesar de alguns obstáculos consideráveis. Lars Olsen, que assumiu as rédeas no final de 2011, tem poucos profissionais à sua disposição, todos os quais jogam na Escandinávia. A maioria de seus jogadores trabalha de dia e só pode treinar à noite. E mesmo quando o fazem, eles têm de enfrentar temperaturas subárticas.

No entanto, apesar de tudo isto, o treinador de 54 anos acredita que as Ilhas Faroe ainda pode chegar ao Euro 2016 - eles estão em quarto no Grupo F, com o terceiro lugar garantindo ao menos o play-off. "No futebol tudo é possível", afirmou. "Se vencermos nossos jogos podemos conseguir".

Um arquipélago com abundantemente mais ovelhas do que habitantes se classificando seria, sem dúvidas, superar o sucesso da Dinamarca em 1992 - os escandinavos não conseguiram se classificar, mas de alguma forma conquistaram o torneio - como a mãe dos milagres do Euro.

Lars Olsen, no entanto, não é nenhum estranho aos contos de fada reclassificados como histórias de não-ficção. Lembra-se quem capitaneou os dinamarqueses na noite gloriosa em Gothenburg há 23 anos?

Leia a versão original no site da FIFA

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